Desde pequenos, aprendemos que os limites servem para nos sinalizar que existem um espaço e um tempo predeterminados para a realização das ações individuais, coletivas, sociais. Em Geografia, um limite espacial a que chamamos de área geográfica; em História, um determinado fato marca o limite de uma época para outra; em Filosofia/Sociologia, os valores e princípios ditam os limites do homem na relação com o outro e com o mundo; em Língua Portuguesa, a adequação da linguagem estabelece o limite lingüístico entre contexto/sujeito/fato..
O que está acontecendo com os limites humanos vividos e representados pelo homem e o seu par?
Os fatos do dia a dia têm exercido uma função destrutiva ao que chamamos princípios de convivência, cujos valores norteiam (ou deveriam nortear) a vida em sociedade. Estamos numa intensa guerra de nervos, na qual não nos reconhecemos em determinados momentos, quiçá o outro. Explodimos a qualquer coisa, fugimos ao normal, reagimos sem a função peculiar do ser humano: pensar. A razão se ausenta e o instinto de sobrevivência prevalece? Então, que humanos somos?
O que se espera de alguém dotado de equilíbrio é que a reação não seja pior que a ação. Mas, será que é sempre possível essa reação equilibrada? Os seres humanos, independentemente de sua idade, conhecimento, cor, status social, são pessoas, dotadas de sentimentos, emoções, frustrações, dores, alegrias, conquistas e reações que resultam da soma de diversos fatores somados ao contexto e suas crenças.
Sendo assim, uma simples ação de alguém pode tornar-se uma tempestade para o outro. Julgamos, condenamos e reagimos. Infelizmente, a reação pode não ser favorável e o que era pequeno se torna grande. Os limites foram esquecidos.
A forma como os outros lêem os fatos também depende de suas crenças, princípios, valores, educação, sociabilidade, caráter, modo de ver, julgar e agir. Os preconceitos e a imaturidade somam-se a esses comportamentos de indignidade, quando se utiliza da liberdade de expressão para fazer sensacionalismo e exploração da vida alheia sem nenhum decoro, negando a própria liberdade de expressão.
Esquecem-se de que a ”liberdade de um termina quando a do outro começa”; de que tratar de um tema sério com deboche e maledicência não é criatividade, antes, é negar a função da palavra na essência: criar laços, unir;é revelar-se irresponsável, mau caráter e vil. E quem comunga da idéia não se faz diferente.
Numa situação de conflito, não existe uma vítima, um algoz. Há vítimas e algozes. Todos erram porque excedem os limites. A tormenta se instala e é preciso que outros promovam a conciliação para recuperar a razão perdida. O reconhecimento do erro faz-se necessário, para que o diálogo aconteça e, com a presença do respeito, a harmonia, serenidade, sensatez e paz sejam os fiéis companheiros na caminhada para o amanhã.
A participação de todos é de suma importância. Logo, a escolha pelo lado positivo é a melhor escolha. O que se ganha disseminando a discórdia, a desarmonia, o desequilíbrio, a falta de respeito? Colocar-se no lugar do outro é uma boa experiência. Perguntar-se: “se fosse comigo, como eu agiria?” ajuda a compreender os conflitos pessoais e relacionais.
Pensemos nisso.
Neilda Lima – Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira / CPMLFB
09/04/2011
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