segunda-feira, 21 de novembro de 2011

REFLEXÕES

Egos

" Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na ânsia de acertar"
Clarice Lispector

Ouvindo esse pensamento transformado em escrito de Clarice Lispector numa cena da novela Fina Stampa, pude observar mais uma vez como me identifico com autora tão ciente de sua efemeridade e importância no existir.

Pus-me a pensar. Tenho me procurado a cada dia e o que me mostram que sou entra em choque com o que acredito ser. Meu caminhar não é em vão, minhas ações não são em vão. Vejo que alguns dos meus semelhantes, àqueles a quem chamo pares, não se aproximam, nem me escutam. Antes, me refutam como bicho peçonhento que faz mal. Por quê? Talvez não saiba ou não queira saber. Eu e eles talvez pensemos iguais. A diferença está no agir, no conhecer. Eu sou. Eles pensam quem eu sou.

A realidade de cada um é única. Nasce da concepção de ser, agir e pensar intensamente subjetiva. Distanciar-se de si é uma boa dica de autoconhecimento e oportunidade de conhecer o outro. Quem se dispõe? Conhecer o outro sem conhecer a si mesmo é caminhar no vazio que leva ao abismo de si mesmo.

Permitir-se errar é caminho para o crescimento. Reconhecer os próprios erros é compreendê-los como ponte e elevador que conduzem o indivíduo ao seu íntimo e libertação do egoísmo. Corrigir esses erros, cometer outros, transformá-los a cada dia em algo novo e não repetitivo é reconhecer-se humano, pessoa que nasceu para aprender-ensinar-aprender a ser pessoa, humano.

Que bom!

Basta começar, recomeçar, dar-se uma nova chance sem esquecer as lições que o passado me permitiu fundamentar na busca de algo novo que habita dentro de mim. Não sou o que me dizem ou dizem de mim, mas o que me permito ser.

Neilda Lima
21/11/2011

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